23/03/11

Como sobrevive a infância de hoje

Texto escrito por Celso Aquino


Ao ler o artigo (Como sobrevivi a minha infância – Luiz Roberto), resolvi retomar as palavras do autor comparando seu artigo com a geração do século 21.

Hoje, com a idade na casa dos 40, presencio quase que, constantemente, o comportamento das crianças do século 21. Bastaram 20 anos que se passaram, dos anos 80 para os anos 2000, em pouco tempo as gerações tomam um novo rumo, o suficiente para que houvesse uma mudança na vida delas.

Com a chegada do grande advento tecnológico e o crescente bens de consumo, a infância de hoje não é a mesma dos anos 70 e 80, àquela que conheci; uma infância onde crianças eram apenas crianças e nada mais. Hoje, em uma criança, parece tudo vazio, sem graça. Já nasce um ser produto feito, pronto e competidor para o mundo da tecnologia moderna. Ela surpreende com a sua incrível capacidade ao lidar com tudo isso, mas, ao mesmo tempo são impostas pela sociedade onde tudo tem regras. O artigo do autor narra muito bem o perfil das crianças dos anos 70 e 80, ao comparar as crianças da geração do século 21.

As crianças do século 21, dentro de seus carros modernos com todas suas parafernálias sofisticadas - travas de seguranças eletrônicas nas portas, elas se vêem totalmente presas, laçadas por um cinto quase que as sufocando, ou mesmo presas sentadas em cadeirinhas no banco traseiro, tudo isso sem esboçar um sorriso se quer nos rostos delas. Enquanto nos anos 70 e 80, elas tinham total liberdade, nada de cinto, airbag e cadeirinhas exóticas.

Dentro de seus lares, os medicamentos, os produtos químicos e os detergentes ficam fora dos seus alcances, pois naquele tempo tudo era sem trancas e ninguém mexia. Ah! Como é raro ao ver andarem de bicicletas para lá e para cá nos dias de hoje, pois quando as fazem, lá estão elas super protegidas até os dentes, com seus capacetes, joelheiras, caneleiras e cotoveleiras. E quanto à alimentação e a água ingerida: lá se vão elas comerem porcaria, degustam aquelas batatas fritas gordurosas, biscoitos condimentados, doces de todo tipo e refrigerantes com o maior teor de açúcar possível. As águas são em garrafas mineralizadas, com gás ou sem gás. No meu tempo, nada disso tinha.

Não brincam como nós, antigamente, os brinquedos de hoje são vídeo games, carrinhos com controles, internet, celulares de todo o tipo, walk man - aquilo nos ouvidos o dia todo "prejudica a audição".  As garotas, invés de brincarem de boneca aos 13 anos na maior inocência, hoje se pintam de batons, se tatuam e se furam de piercing por todo o corpo, sem contar com o traje a rigor simbolizando alguma tribo ou modismo.

Não são criativas hoje, não constroem ou inventam brinquedos como esconde-esconde, bolinhas de gude, construir pipas, encontram tudo pronto, só apertar o botão o divertimento se concretiza. As crianças de hoje não gastam energias, não brincam na terra e muito menos não conhecem um pé de café.

Não brincam mais na rua com medo de ser assaltadas; sequestradas, não andam de bicicletas com medo de serem atropeladas, Hoje as crianças não tem mais essa liberdade, ficam dentro de casa ligada na TV e internet, obtendo acesso a certas informações que não são ideais para suas idades. A rua de suas casas ficou sinistra ao anoitecer.

Quando vão à escola, arrumam confusões, e das mais graves possíveis. O desrespeito aos professores é constante, isso quando não os agridem, passam a praticar o bulling e a violência ocorre a todo o momento, e ainda saem como vitoriosas, por serem protegidas pelos próprios pais e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Ficam o dia todo em frente a uma TV ou PC, isso quando acompanhadas de lanches e outras besteiras a mais. Nada de educação alimentar, são sedentárias - pois hoje não as vemos mais brincarem na rua.

Sempre estão freqüentando bares e lanchonetes com os amiguinhos, rodeados de perigos e aprendendo o que não devem, às vezes, quando não estão experimentando cigarros e ingerindo bebidas alcoólicas. Hoje em dia, a bebida e o cigarro, é a porta de entrada para as demais drogas a essas crianças.

Com Playstation, Nintendo 64, X Box, jogos de vídeo, Internet por satélite, ADSL, MP4, Dolby Surround, celular com câmera, computador, chats na internet... Como é incrível tudo isso, e nada de lerem alguns livros!

Hoje elas não têm amigos(as) e são individualistas, parecem solitárias, com o seu mundo virtual e tecnológico.

E os seus cachorrinhos, gatos, coelhos e ratinhos? Que saudade dos nossos, muita comida caseira... Hoje, os deles só ração e tratamento "vip", com veterinário, Pet shop - banho quente, xampú, hidro massagem e tudo mais.

Com todo esse tratamento diferenciado para o animal, o coitado periga morrer se não levado às pressas ao veterinário, pois por qualquer motivo adoece. Que incrível, não !?

Basta chover hoje, nem pensar em banho de chuva, pois podem pegar uma gripe ou uma pneumonia. Nada de brincar em enxurrada de chuva, essa água está contaminada.

Ao ir à casa do amigo, mesmo morando perto, vão de carro e mais tarde o pai volta buscar. E ao chegar lá, nem entram, tem que soar a campainha ou interfone, para poder abrir o portão eletrônico e entrar.

Naquela época, o mundo era puro, saudável e claro, com segurança! Da para acreditar?

Jogam futebol em quadras poli esportivas, traves padronizadas com redinhas à náilon e bolas de couro. Hoje ninguém fica sem jogar. Formam times escalados com direito a jogo de camisas com marcas famosas, luvas e joelheiras de proteção para o goleiro. Naquela época, tudo diferente...

Na escola de hoje não tem o mau e o bom aluno, todos são aprovados. Não era como antigamente, uns passavam de ano e outros não. Hoje tem conselho de classe e não há mais punição, a educação que passou a ser continuada, hoje essas crianças passam a não saber de nada.

Com a inserção delas na sociedade educativa, passaram a deter a libertinagem, e com isso são totalmente inseguras. Não tem respeito aos pais, comem do bom e do melhor, e não se dão por satisfeitas.

Puxa, que tédio é essa infância. E eu aqui analisando, diante dos meus olhos, como é fácil viver a tudo isso, e vivem reclamando, nada está bom!

Hoje os mais velhos podem dizer que essa geração de hoje é sem graça e vazia.

Não sei o que elas pensam.

  "Na infância de hoje, o sol não brilha, ainda há muito por resolver"

 

Celso Aquino

 


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